Como se escolhe um candidato?
Uma pesquisa realizada pela professora de ciências políticas da USP, Maria do Socorro Braga, argumenta que o processo eleitoral no país, hoje, é movido pela emoção ou pelo protesto. No trabalho, ela questiona os motivos que levam milhares de cidadãos a votar em figuras como Clodovil Hernandes e Enéas Carneiro (morto em maio de 2007).
Celebridades que fazem da vida política uma extensão da vida pública tornam-se cada dia mais presentes e marcantes na política brasileira. Segundo Maria do Socorro, isso reflete um problema antigo da política brasileira: a vida partidária é muito pouco trabalhada no país. "Não temos a cultura de conhecer as bandeiras dos partidos, as propostas, a ficha de cada candidato. O voto não é pensado ponderando o passado do candidato, a experiência política, as atuações anteriores, a capacidade administrativa. Apenas uma fatia pequena da população tem essa preocupação. A conseqüência é obvia, a população não tem capacidade de medir, julgar a atuação política dos candidatos", diz.
Para ela, quem vota no Clodovil ou no Enéas não vota a favor de um ou de outro, mas sim contra todos os outros candidatos e partidos. "Votar nessas figuras é como anular o voto. É o mesmo sentimento que move o eleitor", diz.
Nas eleições de 2008, candidaturas como a do ex-apresentador de programa infantil Sérgio Mallandro são avaliadas por ela como uma tentativa do personagem de voltar a ocupar um espaço na mídia. A forma como este candidato vai governar, se eleito, não interessa a ele e nem ao povo.
Como exemplo de voto movido pela emoção, ela cita os que elegeram o presidente Lula. "Para uma parte da sociedade é uma vitória, rompe com uma realidade que estava desgastada, e não deixa de ser carregada de apelo emocional a ascensão de um líder sindical, operário, ao poder. Em outro aspecto, outra fatia mais conservadora, considera inaceitável a chegada do Lula à Presidência. É uma eleição que representa uma história, uma disparidade de ideologias. O apelo emocional é fortíssimo."
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Celebridades que fazem da vida política uma extensão da vida pública tornam-se cada dia mais presentes e marcantes. Segundo uma pesquisadora da USP, isso reflete um problema antigo da política brasileira: a falta de conhecimento acerca da vida partidária dos candidatos.
